É um tipo de dor que nunca vai embora. É daquele tipo que toca no fundo da sua alma e te faz desejar voltar no tempo. Gritar a plenos pulmões. Dar mais um abraço. Congelar uma risada que por uma fração de segundo pareceu durar por toda uma eternidade. Cada vez que uma lágrima cai, seja por um motivo esdrúxulo ou por uma aflição real, eu sinto a famosa pontada de saudades suas, a famosa dor com a qual eu não consigo me acostumar.
Quero jogá-la fora. Quero saber lidar com ela da mesma maneira que lidei com as outras adversidades que na hora em que ocorreram pareceram insuperáveis. Quero domá-la, mas ela é mais forte do que eu; ela me domina. Não sou forte o suficiente, e no fundo eu sei que nem o tempo vai torná-la mais fraca. Ela é intrínseca, e sempre será uma parte de mim. É minha bagagem, meu trauma, minha história de vida. Uma perda irreparável. Um vazio que nunca será preenchido. Uma raiva pelo inexplicável…
Não há um só dia em que eu não sinta sua falta.
Concluo que a pior característica que uma pessoa pode ter é a boa memória. A boa memória traiçoeira, que te faz lembrar da sensação exata que você teve, no exato momento, com aquilo que seu coração e seu cérebro tanto relutaram para deixar no passado. Ela, que te faz conseguir recriar cada diálogo idiota, mensagem inesperada, momento incrivelmente irrelevante; um olhar sutil, uma mania que só você identificou, um jeito único e contagiante de dar risada.
Eu posso não te amar mais, mas minha memória está familiarizada com esse amor antigo. Ela sabe, e sabe direitinho, como te amar. Sabe como me deixar com as pernas bambas, como me pegar desprevenida em um momento de solidão e ainda chegar de repente, a tal vilã.
E eu fico querendo voltar pra uma sensação que já passou e não volta. Quero voltar porque eu sei que já pensei ser a pessoa mais feliz do mundo pelo simples fato de que você me amava. Ou talvez não tenha me amado e eu tenha sido uma diversão passageira. É deprimente, porque mesmo que tenha sido só isso, gostaria de voltar para quando eu não sabia. Quando eu não pensava e não indagava, só vivia…. Sem ter que ficar inventando desculpas para as coisas que não davam certo.
No entanto, por mais que essa lembrança continue martelando minha cabeça confusa, ela também serve de aviso. Alguma coisa do tipo “ei, se é pra estar com ele, não se acomode por pouco!” Você mudou demais para que eu possa alimentar essa esperança de voltar no tempo. Então contento-me com escutar aquela música que me lembra você, enquanto espero que um outro alguém ocupe seu lugar e comece tudo de novo.












